Homem: - Eu vou lhes contar sobre
a maçã. – disse o agricultor sem paciência – Ela pode curar tudo. Doença ou mal
que aflige você.
O trio ficou contente, Leonan,
Altair e a druida escutavam o rabugento senhor em meio a sua plantação.
Homem: - Eu comprei a bendita
fruta com os malditos goblins. Juntei as moedas com algumas pessoas da cidade.
– ele fecha a cara – dividimos as sementes e plantamos. Depois que elas
cresceram 60 centímetros, galhos feios e retorcidos, uma noite elas desapareceram!
Malditos goblins! Eles roubaram para que pudessem vender sozinhos as frutas!
Leonan pensou que eles poderiam
ficar para oferecer segurança, mas depois percebeu que ninguém na cidade de
Oakhurst tinha a maçã vermelha da cura. O ranger indagou ao homem:
Altair: - Onde podemos encontrar
esses goblins?
Homem: - Seguindo a Estrada
Velha, vocês chegarão à Cidadela sem Sol.
Nesse momento a druida sentiu uma
forte pontada no cérebro, ela dobrou os joelhos e levou as mãos na cabeça. O
homem esbugalhou os olhos.
Homem: - O que ela tem? É para
ela a fruta?
A druida tentou falar, mas as
palavras que saíram foram em idioma druídico. O agricultor levantou a enxada.
Homem: - Saiam daqui! Não quero
seus feitiços na minha propriedade!
Altair ajudou a elfa a sair da plantação,
enquanto o lobo arreganhava os dentes para o homem enquanto recuava e Leonan
rosnava estressado, odiava gente fracote que gostava de dar uma de machão e que
ele, para ser civilizado, não podia dar uma surra. Então o bárbaro saiu de lá
tranquilamente, enquanto o agricultor balançava a enxada.
Altair: - Ninguém da cidade tem a
fruta. – disse enquanto se reuniam fora da plantação e esperavam a druida se
recuperar.
Leonan: - Não podemos esperar.
Vamos até a Cidadela sem Sol. – o bárbaro sabia que depois daquela
demonstração, talvez a druida não tivesse muito tempo.
Druida: - Eu estou bem.
Altair: - Vamos voltar a cidade,
nos prepararmos, conhecer quanto tempo levará a jornada até lá e ver se
encontramos alguém que conheça o caminho. – sentencia, olhando solidariamente
para a elfa.
****************
Eida usou o batedor da porta
grande de madeira. O som ecoou lá dentro e pouco tempo depois a porta se abriu.
Um homem meio afeminado e bem arrumado (o máximo que um serviçal pode ser)
atendeu o trio de aventureiras.
Homem: - Vocês estão aqui pelo
anúncio?
Eida: - Sim.
Homem: - Me acompanhem, por
favor. – o grupo entrou, observando a delicada e rica decoração – Aguardem no
salão de espera, por favor.
Com o nariz empinado, o homem sai
e Eida, Alba e Lin ficam na suntuosa sala de espera da família Hucrele. Lin
percebeu um homem de capuz encostado na parede. Em silêncio as três encaram ele
e o mesmo fica parado.
Lin: - Veio pelo anúncio também?
– ele fica em silêncio, mas depois sorri.
Ladino: - Sim. Creio que vocês
também estão aqui por isso, não?
Eida: - Pode ser. – Alba revira
os olhos pela hostilidade da elfa.
O homem afeminado volta.
Homem: - A Senhora Hucrele os
aguarda.
O grupo o segue, ele abre uma
grande porta dupla que revela uma enorme sala de jantar. Uma mesa com vários
metros hospeda castiçais, o piso é de azulejo azul claro, as paredes possuem
quadros e o teto lustres de vidro. No final da mesa, embaixo de um quadro de
uma bela mulher usando joias e segurando um cetro de ouro, está uma cadeira com
uma velha corcunda, com joias e segurando um cetro de ouro. O homem fica ao
lado dela.
Homem: - Senhores, apresento-lhes
a Senhora Kerowyn Hucrele.
Kerowyn: - Esses são os
aventureiros que irão atrás de meus sobrinhos? – pergunta com a voz esganiçada.
O grupo confirma com a cabeça – Bem, não sou uma mulher de rodeios. Meus
sobrinhos desapareceram e se me trouxerem eles ou algo que possa identifica-los
pagarei 125 moedas de ouro para cada um. Se conseguirem traze-los bem de corpo
e mente, saibam que serei muito generosa.
O ladino estranha essa última
parte. Eida franze o cenho.
Eida: - Onde eles foram vistos
pela última vez?
Kerowyn: - Eles inventaram de se
juntar ao um grupo de aventureiros e entraram na Cidadela sem Sol.
Eida: - Isso foi a quanto tempo?
Kerowyn: - Eu não sei, uma semana
ou duas...
Eida: - Onde fica a Cidadela?
Kerowyn: - Nunca procurei saber.
Eida: - Você mora a não sei
quanto tempo por aqui e não sabe? – pergunta indignada.
Kerowyn fica vermelha e grita:
Kerowyn: - Eu vivi aqui a muito
tempo e não tenho obrigação de saber onde ficar essas cavernas de aventureiros!
E você quer ganhar tudo assim de mão beijada?! Vá procurar saber e só volte
aqui com alguma coisa que eu pedi! – ela volta-se para o servo – É esse o tipo
de aventureiros que você me traz?! Ou são todos preguiçosos assim?!
Os gritos da velha ecoam pela
sala de jantar e servem de aviso para os heróis se retirarem. Eida está
irritada e fica ao encargo de Lin e Alba questionarem ao servo (que voltou pra
abrir a porta).
Lin: - Você tem algo que possa
nos mostrar como são os sobrinhos Hucrele?
Homem: - Sim. Há um quadro que
foi pintado recentemente.
O homem leva os quatro
aventureiros para uma antessala onde eles veem dois quadros. Lá estava, Talgen
Hucrele, um rapaz de 20 anos, roupas de guerreiro e olhar divertido e sorriso
ousado. No outro quadro estava Sharwyn Hucrele, usando vestes de maga
iniciante, sorriso tímido e longos cabelos negros. Depois de analisarem os
quadros o grupo percebe os sinetes (tipos de anéis com o símbolo da família sob
a inicial do possuidor), concordando que seria uma ótima maneira de ao menos
identificar que estiveram com eles, caso encontrem os jovens em pior estado. O mordomo
leva o grupo para fora.
Na varanda, o trio de mulheres
percebe que o ladino apenas sorri olhando para elas.
Eida: - Perdeu alguma coisa?
Ladino: - Acho que seria
interessante unirmos forças para essa empreitada. Me chamo Ezio.
Alba: - Prazer Ezio, me chamo
Alba, esta é Lin e Eida.
Lin mantém uma expressão
desconfiada e Eida expressa suas dúvidas.
Eida: - E o que você pode
oferecer ao grupo?
Ezio: - Ora, tenho muitas
habilidades que podem ser úteis no momento certo. Além do mais, pelo que eu
sei, a Cidadela é infestada por goblins... vocês sabem alguma coisa sobre
goblins?
As três pensam um pouco, nunca
tiveram contato com essas criaturas e Eida nunca se preocupou muito em estuda-los,
não podia perder tempo estudando outra coisa que não fosse magia. Rindo Ezio
continua:
Ezio: - Sabe ao menos qual é a
melhor hora para ataca-los?
Alba: - A noite! – responde a
anã. Eida confirma com certeza.
Ezio: - Errado. Eles são
sensíveis de dia. Vejo que vocês realmente precisam de mim. Procurem saber mais
sobre a Cidadela e partiremos a noite para chegarmos com o sol em nossas
cabeças. Nos encontramos na estalagem.
Sem deixar muita resposta, o
ladino parte. Lin fecha a cara, mas Alba dá de ombros.
Alba: - Ele realmente sabe das
coisas.
Eida: - Mas não sabemos muito
dele.
Alba: - O mesmo poderíamos dizer
dele sobre nós.
O trio continua e vai atrás de
informações.

